Cético, cínico e eficiente

Hackman, Gene - O gancho do filme Mississippi em chamas, Mississippi burning, de Alan Parker, é o desempenho de Gene Hackman. É a expressão pura do que Edmund Wilson chama de jobbism, num grande ensaio, em que escreveu que só nos resta neste mundo currupto fazer nosso trabalho bem feito, sem tomar conhecimento de causas e pretensões iluministas.

Hackman olha e ri nos falando uma enciclopédia britânica sobre a natureza humana. Não se vangloria nem tem ilusões. São pessoas assim que avançam as causas, poucas, em que ainda acreditamos, e não ideólogos e idealistas. São céticas, cínicas e eficientes. Nossa única esperança, e Gene Hackman é emblemático de nossa condição. (FSP, 26/1/89)

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- FRANCIS, Paulo. Waaal : o dicionário da corte de Paulo Francis. Org. Daniel Piza. São Paulo : Cia das Letras, 1996. p.121

 

Ulisses, garoto bunitu

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Ulisses: "Meus amigos é que inspiram minha carreira". 

O que dizer de Ulisses Balbino que já não seja de conhecimento de toda a comunidade psiquiátrica?

Enfant terrible que é, não se cansa (até o fechamento desta edição) de (abre aspas) tentar (fecha aspas) agitar a cena cultural paulistana. Tarefa ingrata e fadada ao fracasso, como bem sabe todo ser minimamente alfabetizado. Afinal, alguém já viu Balbino estampado na capa de Caras, Capricho ou, ao menos, na seção policial do Diário Popular? Não é este um claro sinal de fracasso?

É com o intuito de corrigir esta lacuna em nossa tosca cultura que este artigo pago postamos algumas de suas mais recentes manifestações artísticas no [sic] novo campo de locução experimental. 

Estanislau_v1 seria uma homenagem ou uma resposta ofensiva a indirença que encontra quando conversa - via Google Talk - com seu colega de trabalho? Santa_Claus - considerada por alguns como a sua melhor obra, porque menos mal acabada - é a expressão de revolta por um sistema social baseado em consumo ou apenas um conto natalino mal escrito?

São tantas as perguntas que estas manifestações de clara pertubação mental criatividade suscitam, e tão inúteis as respostas que possamos vir a encontrar, que fica a cargo de vocês, meus dois leitores, decidirem: loucura ou falta do que fazer? Um ou dois cubos de açúcar? 

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O Som e a fúria

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Em raríssima foto, Guto em êxtase no momento da descoberta de um novo som. 

 

Quando alguém se propuser a escrever a História do Experimentalismo Musical Brasileiro, certamente terá que criar, não um simples verbete, mas um capítulo inteiro dedicado exclusivamente ao criatívo músico multimídia Gustavo Fazan. O "Guto", como é vulgarmente conhecido, foi membro do restrito grupo autodenominado "Cowboys do Streaming" que, como tantos outros no Brasil, são esquecidos, colocados a margem do mainstream. Esse desconhecimento do grande público, diríamos, essa "marginalidade" é o preço que se paga pela coragem de buscar o novo, o improvável, o grotesco.

 

O misterioso novo som:
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Fonte: Revista Vinil Riscado. n.47, Jan/2011, p. 38. São Paulo, Djaga Editora.